domingo, 24 de março de 2013

Direito e História – Aula 02 – Direito Grego Antigo



Direito e História – Aula 02

Direito Grego Antigo à É difícil estudar esse direito, porque não houve divulgação em toda as suas polis, em todos os seus estados por intermédio de documentos e não há registros em museus ou qualquer outro lugar, comprovando que existia determinadas instituições na Grécia antiga, ao contrário de Roma, que quase tudo o que estudamos existe de fato, há material em museus e outros lugares. Por isso é que tanto se estudou o direito romano, pela quantidade de fontes primárias documentadas.

Para estudar o direito grego antigo, nós temos de nos socorrer de uma monografia, de uma obra que é considerada (embora não haja certezas) de Aristóteles, que se chama: “A Constituição de Atenas”. Não há fontes documentais monográficas a respeito das outras cidades estado, só temos a respeito de Atenas.

Benjamin Constant fez um discurso, “a liberdade dos antigos comparada à liberdade dos modernos”, tentando discutir dentro do parlamento ateniense com a perspectiva filosófica. Quando Benjamin parte para a França, começa sua carreira política e conseguiu atuar também como parlamentar. Ao mesmo tempo congregar em uma personalidade, um homem que pensa, um homem que faz... isso é algo raro de acontecer.

No seu discurso, ele tenta rebater as teses de Rousseau, de que nós deveríamos (conforme Rousseau) de algum modo encucar na mente das pessoas, que era importante resgatarmos um tipo de sentimento coletivo, um sentimento de ter prazer de participar do que é coletivo.

A atividade política em Atenas do século 6 ao século 3 antes de cristo era voltada para o coletivo, então Rousseau tenta teorizar sobre isso. Ele tentou, em meados do século 18, fazer com que a gente voltasse a ter essa perspectiva, dizendo que estava na hora de voltar os olhos para a história e ver que os povos da antiguidade clássica e dizer que eles (sobretudo o povo ateniense) acreditavam que era muito melhor eles participarem das políticas públicas, e não fazer como fazemos hoje, ou seja, votar num representante.

Hoje em dia as pessoas são muito individualistas, elas não se importam com o resto da sociedade. Se ela estiver bem, que se dane o resto, e isso era o que o Rousseau tentou mudar, deixando a questão: “como fazer para as pessoas se unirem” que até hoje não se tem a resposta.

Para se ter uma noção de como somos individualistas, o professor citou em sala que caso o Juiz escolhesse o nosso nome para ser um dos 7 jurados ou ele nos colocar como mesário das eleições, que vamos reclamar um montão de estar tendo que perder um dia lá, e é uma realidade, ninguém gosta de perder um dia pelo próximo, por isso somos classificados como individualistas. Os atenienses, diferentemente de nós, acordavam cedinho e iam para a ágora (praça pública, onde havia o eixo de debate político) tentarem ser sorteados para participar do coletivo.

Depois de um tempo, eles começaram a receber um salário, que tinha o valor simbólico, ou seja, servia somente para o sustento próprio, pois assim eles poderiam se dedicar exclusivamente ao coletivo, pois eles não podiam sair enquanto o conflito não fosse resolvido.

Lá eles tinham pleno conhecimento que tudo funcionaria via mandato, e sempre mandatos curtos. O máximo que poderia se exercer no cargo era de apenas um ano e como todo dia havia sorteio, então às vezes você era sorteado, às vezes não... Como havia muita gente tentando a vaga e o mandato era curto de mais, não havia tempo para promiscuidades publicas.

Drácon e Sólon

Drácon à Foi uma pessoa que era excessivamente rígida, inflexível e severa. Ele era tão aficionado por direito criminal, que ele simplesmente prescindiu de estudar o Direito Civil, ele só gostava de crimes e acreditava que toda sanção proveniente de um delito/ de um crime, deveria ser muito severa, ou seja, se por ventura a pessoa era condenada, em um tribunal qualquer criminal, a sanção proveniente daquela sentença sempre deveria resultar na morte, na mutilação, na escravização etc. Ele era uma pessoa muito ruim mesmo.

Ele começa a estudar o direito criminal, mesmo sendo o governante, ele tinha um prazer imenso em estudar todos os crimes e ele tentou um dia fazer uma espécie de tipologia criminal. O que nós chamamos de tipos penais, lá na Grécia e em Atenas no sétimo para o sexto século antes de Cristo já existia, e ele foi pesquisar sobre algo chamado: “homicídio”.

Ele fez uma pesquisa sobre crimes que HOJE chamamos de culposo, doloso e em legítima defesa, só que na época dele a nomenclatura foi diferente (cuidado com o anacronismo, pois essas nomenclaturas só se deram no a partir da idade média), era denominado sim por classificações, ele chamava essas divisões de taxionomia:

ð  Voluntários;
ð  Involuntários;
ð  Homicídios em legítima defesa.

É claro que podemos fazer aproximações, se você pensa em voluntário, você pensa em algo que já tinha sido premeditado, algo que teve uma vontade efetiva de que o crime se consumisse. É o conceito que hoje temos de crime doloso. Já o involuntário seria o aproximado de culposo, pois não havia a intenção de matar (um acidente), já o de legitima defesa era porque a sua vida estava correndo perigo. No “eu ou ele” é claro que a escolha seria no “eu”.

            Drácon, ao estabelecer esta tipologia ele também já começou a se preocupar em identificar tribunais para julgar estas questões.

            Para Drácon, homicídios voluntários, as duas espécies mais comuns, para nós hoje em dia é um absurdo. Incêndio e envenenamento. Então toda a vez que se depara com uma investigação qualquer criminal e aquilo vai redundar em um processo criminal, pela tipologia a regra seria homicídio voluntário, pois “houve a vontade de matar”. Hoje é um absurdo isso, mas naquela época era tão comum acontecer de incendiar e envenenar as pessoas, que acabou chegando a este ponto.

            Também denominava voluntário, os “crimes de sangue” (cuidado com o anacronismo de novo). Hoje, teríamos por esse tipo de crime, algo que saia feridas da pessoa, na época, crime de sangue era todo aquele que de alguma forma se manifestava pela vontade de cometer o crime.

            Para Drácon, o órgão competente para resolver o conflito, condenando ou absolvendo alguém, seria sempre um órgão chamado de areópago. Ele já existia muito antes de Drácon nascer (existia desde o século VIII a.C.), e esse areópago tinha atribuições muito distintas de ter competência, jurisdição para resolver conflitos envolvendo homicídio voluntário.

            Na verdade o Areópago era um órgão nobre, de uma elite de anciãos, que efetivamente, vez ou outra eram conclamados para consulta, para emitir algum tipo de parecer sobre uma política pública de governante.

            Os caras que atuavam no areópago eram chamados de “Arcontes”. Eles perceberam que eles perderam poderes, ficaram muito magoados e chateados, tentaram derrubar Drácon do poder, mas não conseguiram, e ele (Drácon) permaneceu mais 12 anos no poder.

            Algum tempo depois, Drácon decide criar o Tribunal dos Éfetas, que tinha por função, julgar as outras duas modalidades de homicídio (involuntários e em legítima defesa). Lembrando que se o réu conseguisse provar que o crime não havia sido voluntário, mas sim involuntário ou de legitima defesa, o caso seria julgado no tipo de crime que se era considerado (no caso, como ele provou, então seria o involuntário) e vice-versa.

            Depois de tudo isso, Drácon acaba morrendo e entra em cena Sólon.

            Sólon à Sendo que este tinha uma personalidade completamente distinta de Drácon, ele era mais flexível, mais generoso, considerado até mesmo um epiteto. Ele tentou abrandar/ mitigar/ atenuar as sanções provenientes das leis de Drácon. Ele achava que Drácon era louco, e que as sanções tinham que ser um pouco mais humanas para os crimes cometidos.

            Ele não faz só isso. Ele também faz profundas mudanças institucionais, na órbita social, econômica, política e sobre tudo, jurisdicional. Ele percebe que Drácon já havia feito um grande serviço a polis. Ele já havia conseguido criar todo um aparato jurisdicional na esfera criminal, mas ainda faltava na esfera civil, então ele resolveu criar alguns órgãos instigantes na esfera civil.

            Sólon como grande legislador cria um tribunal, que é considerado o maior tribunal da história, que é chamado de tribunal de Heliaia, que ficava nas ágoras. O propósito (função) deste órgão era dar vazão a todas as demandas civis, para que toda a população tivesse acesso a ordem jurídica, com facilidade e sobre tudo do grande centro.

            Ágora – simplificadamente pode-se dizer que era a praça pública. Sendo um pouco mais rigoroso, ágora era o centro de civismo de uma cidade, ou seja, era o eixo efetivo de debate político de todas as esferas do bem governado. Percebe-se que havia toda uma divisão de ágoras em edifícios. Um tribunal dos éfetas, um tribunal de heliaia, uma eclésia, um cuneotério etc. e todos concentrados em um grande espaço publico (hoje em dia poderíamos dizer que se assemelha ao centro-cívico e a brasilia).

            Para Drácon, a melhor maneira de se evitar as promiscuidades públicas era sobretudo instituir por lei que os mandatos deveriam ser de um ano e que no máximo houvesse a possibilidade de reeleição por mais um ano. (Se ele pensava dessa forma, então porque ele ficou 12 anos no poder?).

            Então era por isso que se faziam eleições todos os dias. Porque ele acreditava que dessa forma, se o mandato fosse tão breve, não se teria tempo o suficiente para desviar a grana, e devemos lembrar que somente o cidadão poderia ser eleito/ nomeado para participar desses órgãos públicos.

            Dos milhares de habitantes, os únicos que poderiam ser eleitos eram os homens que fossem de “sangue puro” (expressão minha) daquele lugar, teria que ser cidadão, ou seja o varão (o homem maior de idade) e que não fosse escravo nem mulheres.

            Acabava o mandato de 1 ano, ele teria que ir para uma outra parte da ágora, ele teria que ir para um outro ramo. Assim que fosse eleito e terminasse o mandato, ia para outro, depois outro e assim por diante, então eles tinham saber de tudo sobre tudo, não indo só pela vocação.

            O Tribunal de Heliaia deveria ser composto por aproximadamente 6 mil cidadãos. Dos 20 a 25 mil “efetivamente cidadãos (os sangue puro, os varões)”, eram sorteados apenas 6 mil, mas sempre ia surgindo novas funções então o cidadão nunca ficava no ócio, ele ia necessariamente participar do coletivo.

            Se esses 6 mil cidadãos dentre os 20 a 25 mil cidadãos foram os eleitos para atuar naquilo, no tribunal de heliaia, a nomenclatura, o nome dado para estes 6 mil era de heliastas. Depois disso, havia um novo sorteio entre os eleitos. Por que disso? Porque 6 mil era um numero excessivo, não havia como se alojar 6 mil jurados para resolver 1 conflito de uma pessoa. A ideia era ter muita gente para resolver os conflitos, mas não 6 mil de uma vez só.

            Então para ficar mais organizado e para decidir ao certo quantas jurados poderiam comparecer, já era informado o numero de vagas (sempre em numero ímpar) para cada conflito. Existiam 6 mil Heliastas, se no conflito fossem requeridos 501 pessoas, esses 501 passavam a ser chamados de Dikastas.

            Dikasta porque as seções judiciárias que aqueles heliastas foram sorteados que passaram a ser Dikastas deveriam atuar se chamava Dikasteria. Ou seja, lá no tribunal há uma seção judiciária, essa seção judiciária é nomeada de Dikasteria. Dikasta vem de uma deusa Diké, que representaria a Justiça e do Direito, é aquela estatueta que tem os olhos vendados, e segura uma espada e o conta pesos.

            Então, essas pessoas que estavam selecionadas como Dikastas, tinham a competência de resolver conflitos, mas só na esfera civil. A esfera criminal continuava com o areópago e o tribunal dos Éfetas.

            A pessoa que era ou autora ou réu deveria, obrigatoriamente apresentar por si só. Naquela época não existia advogados, por isso as pessoas tinham que fazer o chamado auto postulação, auto defesa. Para os atenienses, na época era burrice ter advogados, pois todos tinham uma boa oratória, por praticar todos os dias, e acabava por não ter função um advogado atendendo a defesa de seus direitos.

            Então se o tribunal falasse que ele teria que postular para 201 Dikastas, então ele teria que faze-lo por si só. No começo eles não levavam em consideração que existiam pessoas que tinham dificuldades em falar em publico, então foi só depois que eles permitiram que parentes intervissem.

            Depois que tudo fosse feito, as provas e testemunhas eram juntados, permitindo-se assim que cada jurado inquirisse as partes das testemunhas. Depois disso era dado a cada jurado uma tabua onde de um lado ia estar escrito deferido, e do outro lado ia estar escrito indeferido; em uma outra tabua ia estar escrito provimento e improvimento; numa outra ia estar condenado ou absolvido. E haveria um Dikasta que passaria contando todos os votos e do lado ia ter uma pessoa que verificaria se os votos estavam sendo contados de forma correta.
            

Direito e História – Aula 01 – Primeiras Codificações


Direito e História – Aula 01

Primeiras Codificações

No ano de 1902,  Jacques Morgan – grande desbravador de terras inóspitas – chegou a uma região da Mesopotâmia chamada Susa, lá, ele encontrou um documento histórico – conhecido por código de Hamurabi – que é feito em pedra negra, com 2,25 metros de altura por 1,90 de largura, sendo esse o código mais antigo que o homem tem conhecimento. Quando ele tenta desencravar essa pedra, ele comete um equivoco, pois ele quebra os últimos 35 artigos. De todos esses 350 artigos, foram traduzidos 282 artigos.

No Brasil, esse código também foi traduzido, em 1920. Na Europa o primeiro que traduziu se chamava Pietro Bonfante, considerada uma das melhores traduções, porém a tradução brasileira é a melhor tradução feita de todos os tempos.

Para a nossa atual realidade, esse código realmente não supre a todos os problemas da sociedade, isso acontece porque geralmente pensamos de forma anacrônica, ou seja, pensar no fato pretérito com os atuais termos utilizados no dia a dia e.: dispositivos legais, assim chamados hoje de artigos.

Jurisdição do século 12 até o século 16 significava o próprio ato de governar, ou seja, todo o poder concentrado nas mãos daqueles que estavam à frente do poder. Hoje jurisdição é quando o poder é concedido a uma única pessoa (Juiz) o direito de resolver conflitos afastando a vontade daqueles que estão em embate e que ele cumpra a sua própria vontade, que emana do estado. No passado, jurisdição era pressupor o próprio ato de exercício do poder. Então era Jurisdicionar, Legislar e administrar tudo ao mesmo tempo.

Em 1750 a.C. uma das dinastias hamurabis resolveu colocar uma legislação que impunha a sinalagma/ reciprocidade. Isso foi bom porque naquela época as pessoas não se preocupavam muito com isso. Com o passar do tempo, esse conceito se perdeu, mas logo voltou.

Pena de talião – significa o famoso olho por olho, dente por dente.

Então anteriormente, as pessoas costumavam soltar as “bufas” em publico, ou seja, cortavam as partes dos corpos de outras pessoas em brigas (olha o anacronismo ai... bufa atualmente significa peido, no passado significava perda de partes do corpo em brigas). Por isso essa pena de talião deixou de existir, pois já era muito comum e chato vivenciar aquele tipo de situação.

O Código de Mannu é um código eminentemente religioso, por ter mais de 3000 dispositivos legais, tendo poucas coisas que são efetivamente jurídicas. Lembrando que esse código vai retratar sobre castas (lembre-se da novela) ex.: a cabeça (Brâmanes), os braços (Xátrias), as pernas (Vaixás), os pés (Sudras) e a "poeira sob os pés" (Dalit ou párias, que só tem obrigações), sendo criado apenas 1000 anos depois do código de hamurabi.

Há também 3 grandes castas no código de Hamurabi, mas não irei citar.

Depois veio a Lei das 12 Tábuas. Ela não existe fisicamente. Não há provas que realmente comprovem sua existência. Contudo, segundo fontes históricas, essas leis iam sendo edificadas ano a ano, pois estavam havendo conflitos entre plebeus, clientes e escravos. Os plebeus estavam cansados de tanta exploração, resolvendo assim cruzar os braços, sendo essa a primeira noticia que se tem registro com relação ao tema greve.

Para que essa greve acaba-se, os patrícios se reunirão, o tempo ia passando e a greve não acabava, então napoleão se encontrou com um grego (Comodoro) que vivia na Itália e ele resolveu interferir dizendo que eles estavam cometendo um erro crasso, porque eles a mais de 200 anos tinham já uma serie de leis muito mais científicas com relação a direitos e que poderia servir de base para fazer uma lei especifica para eles.

10 desses patrícios – os decenviros – convocaram novamente Comodoro e partiram em sua viajem para Atenas, por isso demoraram 11 anos, porque iam e vinham direto. Lá eles compilavam e reuniam doutrinas, formas de se resolver conflitos. Depois que faziam isso, retornavam e esculpiam tudo, tabua a tabua.

Mas como foi dito anteriormente, se não existem provas da existência dessa lei das 12 tabuas, como podemos afirmar que elas realmente existiram? Com o passar dos anos, como a escrita não era muito difundida, os professores de Direito do passado começaram a montar as suas próprias apostilas, cujo uso era pessoal. Apostila nos dias atuais significa a síntese de várias matérias reunidas em um único lugar, na época, era tudo o que se referia a aquela determinada matéria, e tudo isso para ensinar direito de graça.

Usucapião é o direito que um cidadão adquire em relação à posse de um bem móvel ou imóvel em decorrência do uso deste por um determinado tempo. Usucapião é um termo originário do latim, e significa adquirir pelo uso.

No século VI assume o poder o Justiniano, imperador do império romano do oriente. O ultimo imperador de Roma, e ele foi trazendo de volta todas aquelas leis que foram sendo deixadas para trás, todas aquelas coisas que foram sendo esquecidas com relação ao direito. Tudo que Justiniano compilo está no chamado Corpus Juris Civiles, contendo informações desde o II século antes de Cristo, até a sua “atual” posse, ou seja, 8 séculos de compilação.

10 séculos depois, foi pedida uma autorização para o vaticano que fosse liberado a consulta desse corpus juris civiles para que pudesse haver a reconstituição do código da lei das 12 tabuas. Levaram de 20 a 30 anos para que isso realmente acontece-se, entretanto, não se sabe se houve o interpolamento dessas informações.

Interpolar* à Desnaturar = É quando se é passado informações de pessoa a pessoa, sem provas de documentos. É certo que até um certo ponto a informação chegue intacta, mas também é certo que ao longo do tempo, as informações vão sendo alteradas, e é isso que se chama interpolar. E é ai que nasce uma lenda...

Então se perguntarem se essa lei realmente existiu, a resposta é negativa. O que existe é a reconstituição desse material. Fisicamente, a lei das 12 tabuas não existe mais, mas existe uma “reconstituição” daquilo que era pra ela ser, sendo que foi muito bem feita.

Com as guerras mundiais, muitos dos documentos históricos foram roubados, ou seja, foi feita uma rapinagem deliberada nos documentos históricos. Os gregos pedem suas devidas devoluções, mais os países que os roubaram se negam a devolver.

Antigamente monografia era a escrita de qualquer texto, hoje, é para o TCC. Um livro que é muito bom e que retrata basicamente como era as leis de Atenas é “A Constituição de Atenas”, que mesmo sendo 2 séculos antes de Cristo representa muito bem a realidade da época em Atenas no século VI.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Metodologia Científica - Aula 01 - Senso Comum, Caráter Científico e Conhecimentos...

Direito e Metodologia Científica - Aula 01
Senso Comum, Caráter Científico e Conhecimentos...

            Quando falamos do conhecimento proveniente do Senso Comum, falamos das nossas opiniões diárias/ cotidianas, e que vão sendo transmitidas de geração em geração, por exemplo: A Crença de que o sol nascerá no amanhã, se você perguntar a pessoa o porque de que ele vai nascer no amanhã, ela não irá saber responder e dirá que vai nascer, porque ele sempre nasceu em todos os dias da sua vida, logo ele irá nascer.
                Outro bom exemplo é a ideia humana de que os animais, desde seu princípio, sempre foram iguais ao que são hoje, e dizer que os mamíferos vieram do peixe, fica estranho acreditar nisso. Nós sabemos que aconteceu mais ou menos isso para surgir os mamíferos, pois tivemos um estudo prévio, agora aqueles que nunca tinham visto isso, é realmente difícil de acreditar.
               Agora, se escolhermos, ao invés de leigos, cientistas para nos responder tais questões como: o sol nascerá amanhã? Os mamíferos vieram mesmo do peixe?, o cientista irá responder essas questões com base nos estudos e nas ciências  vai falar por exemplo que a terra tem o movimento de rotação e que a mesma gira em torno do sol, e os animais, que eles passaram por um processo evolutivo até chegar nos mamíferos etc.
                     Características

                     Senso Comum                                                                  
Saber Subjetivo - Porque mostram sentimentos              
e opiniões que  vão variar de  pessoa para pes-                
soa, e de sociedade para sociedade. Ex.:                        
--> Você  vai na  índia, passa do  lado de uma                
vaca e diz para um  nativo: olha que  bela vaca                
para fazer  um bife! O Indu  vai ficar  incrédulo                
pois a vaca lá é um animal sagrado. Já nós não                
vemos dessa forma...                                                      
* É Arbitrário, ou seja, não  tem  padrão, não                
tem critério, não é objetivo, tomando por ver-                  
dadeiro as experiencias anteriores do passado                  
, sendo quase sempre espontâneo. Ex.:                              
--> Medicina popular, uso de chás para curar                  
gripes, dores de garganta etc.                                          
* Aquilo que sai  fora  do  padrão, a  exceção                
como  algo extraordinário,  ou  algo milagroso,                
pois aquilo  que  não compreendemos é consi-                
derado como magia, como algo miraculoso.                    
* Visa a solução de problemas imediatos, em                  
consequência de uma necessidade imediata.                    
Ex.:                                                                                
--> Construção de canoas para a locomoção                  
por água.                                                                        
                                                                                     
                                                                                       

Caráter Científico
É um conhecimento objetivo, ou seja, vai sem-
pre  procurar  as  estruturas  universais,  aquilo
que não  muda, e será sempre igual porque não
vai sofrer a variação como acontece nas subje-
tivas. A mesma coisa  que o  Indu  enxergar eu
também tenho que enxergar.
* É  Criterioso,  construído, tendo  métodos  e
medidas, ou  seja, a  ciência é  cautelosa  antes
de construir as  relações  causais,  primeiro  in-
vestigando  e  fazendo  os  experimentos,  para
que haja precisão no que for dito.
* Tenta transformar aquilo que era considerado
miraculoso/ extraordinário  em algo  que se de
para explicar de  forma  palpável, claras e sim-
ples, sem que fiquemos só acreditando em má-
gicas e milagres.
* Caráter Hipotético: Diz que o  conhecimento
científico é  mais  seguro  que  o  conhecimento
advindo do  senso  comum,  mas  que  não é o
conhecimento absoluto, não é infalível. Ex.:
--> Questão das raças, onde foi feito uma pes-
quisa com criminosos, e pelo tipo da fisionomia
era  determinado, mais  ou  menos,  qual  era a
pré-disposição  do cara cometer determinados
tipos de crimes.


               Síntese
               Senso Comum
               --> As opiniões do Senso Comum podem nos conduzir, portanto, à formação de pré-conceitos pressupondo coisas que já foram parecidas, ou seja, forma-se uma distorção da realidade.
               Conhecimento Científico
              --> Duvidam, desconfiam das certezas do cotidiano. A Ciência enxerga o problema e tenta dar uma solução plausível.
             O Trabalho Científico é metodológico e sistemático, pois estudam as estruturas universais. Sendo que ele tem sistemas (conjunto de regras que tem na base, princípios que mantém a coerência do sistema). É o conjunto de atividades mentais, técnicas e intelectuais baseadas em métodos que sejam capazes de garantir o rigor dos resultados.
           Para se começar a fazer um trabalho científico, eu tenho que determinar os fatos a serem investigados, ou seja, eu tenho que escolher um tema de pesquisa, depois disso, eu vou ter que definir um método para testar esses fatos, vou estabelecer hipóteses e depois testá-las, para ver se elas se sustentam ou não. Depois disso, chego no meu resultado, e assim, elaborarei as teorias com base em toda a pesquisa. Por fim, demonstrarei para todos quais foram os resultados obtidos com todas essas investigações.

           Conhecimento
           Existem 4 tipos: o Tácito, o Explicito, o Dogmático e o Filosófico.

--> Tácito = É aquele conhecimento que é pessoal, individual e que as vezes se assemelha do senso comum, é um conhecimento que se é aprendido no mundo externo, mas que acaba se tornando individual. Ex. desse tipo de conhecimento:
- São nossas habilidades, como nadar, correr,dirigir etc.
É a própria vivencia da pessoa, porque depois que se aprende, a partir da prática, não se esquece mais como faz, pois ele se torna uma parte do corpo, é como se fosse a memória do próprio corpo, pois não se fica mais pensando como fazer.
--> Explícito = É um conceito que vai se formando no grupo, onde com o passar do tempo, vai sendo melhorado até chegar na forma mais precisa possível, sendo compartilhável. Ex.: Bibliotecas, pois foi sendo produzido pelas pessoas e foi, ao longo do tempo, aprimorado, melhorado.
--> Dogmático = Esse conhecimento costuma ser construído pelas pessoas que optam por encontrar informações sobre determinados objetos, o que essas pessoas dizerem que esta certo, elas vão acreditar naquilo e vão tomar como verdade absoluta, sem questionar nada. ex.: Bíblias ou escritas sagradas, pois elas são incontestáveis, são absolutas e ninguém questiona (em teoria)...
--> Filosófico = É como procurar uma imagem ideal, procuro pela minha razão aprender quais são os elementos que compõem aquilo que estou investigando. É quando se tem uma idealização do objeto, e esse objeto é estabelecido a partir das idéias e eu chego as minhas conclusões através da lógica. Vai tentar estabelecer o objeto através de uma forma universal.

Questões de Compreensão
1- De exemplos de certezas do senso comum e sua refutação (seu desmentir, mostrar que aquilo não é verdadeiro) pelas ciências.
2 - Considerando as características dos saberes do senso comum, escolha 3 e explique-as.
3 - Por que em nossa sociedade a ciência tende a ser tomada como se fosse magia?
4 - Que atividades intelectuais garantem rigor ao trabalho científico?
5 - O que significa dizer que a ciência constitui-se em um pensamento sistemático?
6 - Quais os pré-requisitos para a constituição de uma ciência?